Inovação pedagógica nas escolas em debate no Porto

2026-05-12

O Conselho Nacional de Educação (CNE) promoveu, no dia 11 de maio de 2026, o seminário “Inovação Pedagógica nas Escolas: políticas, práticas e condições de sustentabilidade”, realizado em parceria com a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) e com o apoio da Câmara Municipal do Porto.

O evento reuniu quase duas centenas de participantes, entre investigadores, docentes, dirigentes escolares, responsáveis e técnicos de autarquias, decisores políticos e outros agentes educativos.

 Auditorio_copy.jpg


Um espaço de reflexão sobre políticas, práticas e sustentabilidade

Na sessão de abertura, o Presidente do CNE, Domingos Fernandes, o Diretor da FPCEUP, Pedro Nobre, e a Vereadora responsável pela área da Educação da Câmara Municipal do Porto, Matilde Rocha, sublinharam a relevância do seminário enquanto espaço de diálogo entre diferentes atores do sistema educativo e enquanto contributo para a reflexão sobre políticas e práticas de inovação pedagógica.
Flávia Vieira, Conselheira Coordenadora da Comissão Especializada Permanente do CNE – Inovação Pedagógica nas Escolas, enquadrou o percurso de trabalho desenvolvido pela referida comissão, entre 2022 e 2026, salientando o seu caráter progressivo e colaborativo, e referiu-se a este seminário e à publicação Inovação Pedagógica nas Escolas: contributos para a sua compreensão e desenvolvimento (hiperligação), agora apresentada pelo CNE, como o culminar desse processo.

Abertura_copy.jpg   
Pedro Nobre, Domingos Fernandes, Flávia Vieira e Matilde Rocha
   
Diretor_da_Faculdade.jpg                               
Pedro Nobre, Diretor da (FPCEUP)

Potencialidades e desafios da inovação pedagógica

Na conferência intitulada “Transformar a Educação e a Inovação”, António Dias de Figueiredo problematizou os desafios contemporâneos da educação e a necessidade de repensar os modelos pedagógicos à luz das transformações sociais e tecnológicas.

Ana Isabel Andrade, ao apresentar a obra já referida, salientou a relação entre a inovação pedagógica e a intercompreensão, enquanto abordagem que valoriza a diversidade e favorece aprendizagens colaborativas e centradas nos alunos.

conferencista_2.jpg                             












António Dias de Figueiredo

Livro_1.jpg                                                                                                   
















Ana Isabel Andrade

A sessão incluiu igualmente uma mesa-redonda, moderada por Matilde Rocha, vereadora da Câmara Municipal do Porto, na qual participaram Luís Santos, Presidente do EduQA, I.P., Nuno Mantas, Diretor do Agrupamento de Escolas da Boa Água, em Sesimbra, e Rui Trindade, Presidente do Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua e investigador da FPCEUP.

 

mesa_redonda_copy.jpg                                                           
Matilde Rocha, Nuno Mantas, Luis Santos, Rui Trindade

Neste espaço foram analisados vários aspetos, designadamente, a realidade atual das práticas de inovação pedagógica, os fatores que podem favorecer ou condicionar o seu desenvolvimento e, ainda, as prioridades que importa definir para garantir o seu suporte, monitorização, avaliação, reconhecimento e transferência.

Ideias-chave numa reflexão a várias vozes.

Foi consensual que a inovação pedagógica carece de um contexto favorável, que articule políticas educativas, cultura organizacional, conhecimento pedagógico dos docentes e empenho dos diferentes atores educativos As várias intervenções convergiram em torno de um conjunto de ideias. Por um lado, como condições favoráveis, destacaram-se:

  • construção de visões partilhadas e de culturas escolares colaborativas;
  • lideranças pedagógicas afirmativas e distribuídas;
  • valorização da investigação-ação e da reflexão crítica sobre práticas;
  • desenvolvimento profissional dos docentes, apoiado na reflexão e na investigação sobre práticas;
  • existência de tempo e condições organizacionais propícias ao trabalho colaborativo e ao desenvolvimento profissional;
  • articulação entre escolas, instituições de ensino superior e outros parceiros.

Por outro lado, foram assinalados alguns obstáculos e desafios, designadamente:

  • rigidez organizacional e curricular;
  • condicionalismos administrativos e burocráticos na constituição das equipas pedagógicas;
  • limitações de tempo e recursos humanos;
  • necessidade de articulação entre iniciativas locais de inovação e enquadramentos sistémicos;
  • garantia de maior consistência nas políticas públicas de apoio à inovação;
  • Consolidação do conhecimento sobre três domínios fundamentais: Pedagogia, Currículo e Avaliação

O seminário revelou, assim, tensões entre a inovação pedagógica desejada e os contextos reais de implementação, ao mesmo tempo que identificou linhas prioritárias de intervenção em vários níveis de decisão do sistema educativo para o seu desenvolvimento e sustentabilidade.

encerramento_copy.jpg                                                                                   













Isabel Menezes, Domingos Fernandes, Flávia Vieira

A publicação apresentada pode ser consultada em: https://www.cnedu.pt/pt/noticias/inovacao-pedagogica-nas-escolas-contributos-para-a-sua-compreensao-e-desenvolvimento

Aassista à versão integral do seminário